À ESPERA DO AMOR

 

Recontei o tempo,
andei pra trás,
colecionei dos dias e as noites.

Atrasei as horas,
segurei as nuvens,
troquei as estações.

Plantei cata-ventos,
prosei com bem-te-vis,
chorei com beija-flores.

Reguei a saudade
e cochilei em suas sombras.
Subi mangueiras
entardecidas de espera.

No quintal,
apanhei um pé de palavras
e arranjei uns versos
silvestres no vaso.
Sentei na soleira da porta
e desenhei seu nome na terra.

Poli a lua,
dei corda nas estrelas,
arrumei o céu.

Debrucei meu coração na janela,
até meu peito ficar marcado
pela dor da espera.

 

 

 

 

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