Não lavei...

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Não lavei os cabelos pois tinham
o calor da tua mão.
Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.
Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos, no meu corpo a sagrada
profanação do teu olhar que não lavei.
Nem aqueles lençóis, não os lavei, nem os
espelhos que continuam onde sempre estiveram,
por que eles nos viram
cúmplices, e a paixão, no
paraíso, parece que era.
Lavei, sim, lavei e perfumei
a alma, em jasmim, que é
tua, só tua, para te esperar
como se nunca tivesses ido a
nenhum lugar, donde apaguei
todas as ausências que apaguei
ao teu olhar.



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